E hoje (na verdade onte, que foi quando este post foi escrito) foi mais um dia de FISL.
O dia começou, mais uma vez, com uma neblina cerrada. Frio o suficiente para me convencer a colocar um casaco na mochila, antes de sair.
Só um casaco, pois como diria o velho deitado: “Neblina baixa, sol que raxa”. E foi exatamente o que aconteceu: pouco antes da palestra das 10 o calor já era forte.
Deixando a meteorologia de lado, vamos o que interessa: resumão do segundo dia do FISL9.0.
Das oito palestras das 10 horas, a escolhida foi “Novas tendências na instalação de pacotes de software em Linux”, do Paulo Trezentos, Arlindo Oliveira e Inês Lynce. Fechando certinho com a trilha “Tópicos emergentes”, Paulo Trezentos tratou das pesquisas desenvolvidas na Europa, e dos trabalhos da distribuição Caixa Mágica, que visam acrescentar aos gerenciadores de pacotes atuais características como rollback de atualizações, utilização de SAT SOLVERs para solver problemas de dependências de pacotes e a possibilidade de usar o apt-get, por exemplo, para baixar pacotes via P2P. Os trabalhos já são desenvolvidos há alguns anos, são bastante funcionais mas ainda não são maduros o suficiente. No fim das contas, como acredito ser o intuito da trilha, foi bom para ver o que vêm por aí para facilitar a vida do pessoal no que trata de gerenciamento de pacotes.
Terminando o “aquecimento”, era hora de escolher entre a palestra do pessoal do Firefox e a do Antonio Terceiro, intitulada “Engenharia de Software e Software Livre: tudo a ver!”. Uma escolha difícil, é verdade. Mas para minha sorte, esta última foi transferida para o sábado às 18 horas, justamente num horário em que não pretendia assistir nada. Maravilha! Vamos ao Firefox.
O tema “Firefox in Brazil and Beyond” foi apresentado pelo Chris Hofmann, Bruno Magrani, Chris Blizzard, Marcio Galli, Mary Colvig e Taras Glek. Pessoal bacana, mostraram alguns números, comentaram sobre o papel da comunidade, a importância da localização e mais uma série de perguntas feitas pelo pessoal. Além disso, foi feito o convite para participar do Workshop do Firefox, que rolou das 13 às 21 horas. Convite que aceitei prontamente. E, após um super almoço no restaurante do shopping, digo, da PUC, me dirigi para o prédio 30, onde ocorreria o workshop. A primeira aprensentação, de algum dos palestrantes da sessão anterior do qual não me lembro o nome, deu uma visão geral sobre o projeto, sobre o foco nos desenvolvedores, usuários finais e usuários de outros navegadores. Sim, de outros navegadores, pois a equipe do Firefox sente-se responsável por puxar o mercado de navegadores para que a experiência do usuário com a web e com o próprio browser traga sempre novidades.
A segunda palestra tratou da questão que não tive a oportunidade de fazer na palestra das 11 horas: firefox offline/online.
Foram apresentadas as novas possibilidades, que estão no Firefox 3, de desenvolver aplicações web que permitam ao usuário interagir mesmo estando offline. Baseados no padrão WHATWG, foram implementadas algumas chamadas javascript responsáveis por mágicas que vão desde saber se o usuário está online ou offline até fazer cache de contextos das aplicações no navegador. Essa é a belezinha que vai permitir que você conecte-se à internete para baixar seus emails ou feeds, desconectar, fazer tudo que tem que fazer e depois conectar-se novamente para sincronizar as ações com o mundo. Realmente muito bom nessa época de mobilidade em que o custo de conexões via celular ainda são bastante caras.
Apesar da vontade de assistir todo o workshop, como programador PHP sintí-me praticamente obrigado a sair correndo para a palestra “Large Scale PHP”, de ninguém menos que Rasmus Leedorf. E foi o que fiz, mas não sem antes adquirir, na faixa, a camiseta do Firefox, mais uns adesivos e um bottom. É isso aí: esse ano não tem os pinguins da IBM, mas teve camiseta do Firefox.
De posse de mais badulaques, cheguei um pouquinho atrasado à palestra do Rasmus, e a parte de escalabilidade estava terminando para dar espaço à segurança em sites PHP. Sem palavras sobre as técnicas simples, porém frequentemente esquecidas, mostradas lá. Dentre outras, o cara abriu uma ferramenta e fez um scan num site, se não me engano, do governo de Porto Alegre e viu que não só conseguia executar código JavScript arbitrário como gerou um erro que possibilitaria um SQL Injection. Legal…
Depois de apavorar-me com a insegurança da internet (nas palavras do Rasmus “Don’t click any link. Every click is a security fault”), fui assistir uma palestra mais leve: “Por que Python?”, do Marco Anddré Lopes Mendes. Palestra divertida, apresentadas 10 razões para usar Python, mais duas de bônus. Sinceramente: nada de novo, tudo o que todo mundo fala para defender sua linguagem favorita. Ao menos o palestrante foi sincero e no começo já avisou que a palestra seria mesmo um evangelismo discarado. No fim valeu a pena pelo senso de humor do palestrante e os slides bem confeccionados.
Na sequência era a vez de assistir algo mais técnico, mais ciência da computação. E nada melhor do que “Open source solutions for distributed systems development”, do Rodrigo Damazio, do Google. Apesar do frio intenso na sala, rolou uma boa explicação sobre MapReduce, a solução do Google (GFS, se não me engano) e algumas OpenSource (acho que uma delas era Hadoopi, ou algo que o valha). Além disso rolou uma visão geral de implementação disso para bancos de dados distribuídos (BigTable, do Google, e HyperTable, se não me engano). Ao final já era 17 horas, ou seja, hora de correr para a “Kernel Open Session” com o Theodore Ts’o.
É desnecessário dizer que o cara manja muito, afinal ele trabalha no desenvolvimento do kernel desde quando mesmo? 1991? Um pouco depois, talvez? De qualquer forma já são mais de 10 anos trabalhando no mesmo sistema e isso é bastante tempo. Todas as perguntas respondidas com excelência e eu mal posso esperar pela palestra dele amanhã sobre o **ext4** (pô, quanta babação de ovo, agora me surpreendi comigo mesmo).
Saindo dessa, fui à palestra da Nokia, “Iniciativas e projetos open source para smartphones”, onde foi apresentada a plataforma Maemo e alguns detalhes sobre o Symbian OS. No fim de tudo, palestra de marketing.
Pra fechar tinhamos duas horas de Sérgio Amadeu, Francisco Rudiger e Gustavo Gindre concorrendo com “Suporte ao processador Cell no Linux” e “PyWeek: make a game in 7 days”. A minha escolha, não muito feliz, é verdade, foi pelo processador Cell. Sabe como é, PS3, videogame, essa coisa toda. Não posso dizer que a palestra foi ruim, mas o frio era grande e isso contribuiu para que eu passase o maior tempo espirrando e fungando. Maldita rinite. Depois de me recuperar resolvi ver o que o Sérgio Amadeu estava aprontando e dei a sorte de pegar o final do discurso sobre a liberação do Espectro Eletromagnético para uso geral após o mesmo ser liberado pela desativação das TVs analógicas. É realmente um tópico que precisa ser discutido e talvez eu poste algo sobre isso algum dia, mas o resumo da ópera é: em não mais que 10 anos as faixas eletromagnéticas que hoje são usadas para transmissão de sinal de TV serão desocupadas, pois teremos apenas TVs digitais. O processo de reapropriação desse espaço já está acontecendo nos Estados Unidos e leilões milhonários são feitos pelo estado para descolar uma grana. Acontece que essa faixa é importante e pode servir não como um canal para grandes empresas distribuírem informação interessante para elas, mas como um canal comunitário de comunicação, onde funcionaria como uma grande rede Mesh ou P2P. Levar a sério o direito humano da comunicação sem barreiras.
Bom, acho que já deu pra ter uma idéia do que rolou no segundo dia do FISL9.0.
Agora é dormir um pouco para amanhã enfrentar o 3º Encontro Nacional do Ubuntu Brasil, Prevenindo XSS com Er Galvão Abbott, Randal Schwartz falando sobre Seaside, Bram Moolenar dissecando Vim Script, Theodore Ts’o e Ext4, Tradução de Software Livre com José Ernesto Mortara San Marting e Fabiano Sant’Ana, uma sessão de perguntas e resposta com a Mitchell Baker, CEO da Mozilla, Summer of Code com a Fernanda G. Weiden e outras que ainda não decidi.
Se eu sobreviver estarei de volta amanhã.